A Prof. Dra. Edina Camargo, especialista e colunista da Fitness Brasil, destaca que a Tirzepatida, conhecida comercialmente como Mounjaro, tem gerado discussões significativas no âmbito da saúde e do fitness. Isso se deve à sua capacidade de agir sobre dois hormônios intestinais, resultando em uma perda de peso acelerada, mas com o potencial risco de diminuição da massa muscular. Essa análise foi divulgada em 18 de maio de 2026.
Como funciona a Tirzepatida
Diferente de outros medicamentos como a Semaglutida (Ozempic), a Tirzepatida atua simultaneamente nos receptores do GLP-1 e do GIP (Polipeptídeo Insulinotrópico Dependente de Glicose). O GLP-1 é responsável por aumentar a sensação de saciedade e retardar o esvaziamento do estômago, enquanto o GIP tem influência no metabolismo das gorduras e na sensibilidade à insulina nos tecidos adiposos. Pesquisas clínicas indicam que essa combinação pode resultar em uma perda de peso entre 20% e 25% para pacientes obesos.
Perda potencial de massa magra
Profissionais da saúde alertam que parte significativa do peso eliminado com esses medicamentos pode incluir a massa livre de gordura — como músculos e até densidade óssea — principalmente se não houver intervenções apropriadas. Uma perda rápida de peso sem estímulos adequados ou nutrição balanceada pode levar à sarcopenia e a um metabolismo menos eficiente.
Músculo e saúde metabólica
O músculo esquelético desempenha um papel fundamental como principal consumidor de glicose, sendo vital para manter a taxa metabólica basal e garantir flexibilidade metabólica. A saúde metabólica é influenciada por diversos fatores, como a capacidade de alternar entre a queima de carboidratos e gorduras, sensibilidade à insulina, eficiência das funções mitocondriais e controle da inflamação crônica. A perda de massa muscular durante processos de emagrecimento pode resultar em exames laboratoriais favoráveis, mas comprometer o metabolismo do paciente.
Treinamento resistido e via mTOR
A intensa restrição calórica promovida pela Tirzepatida tende a diminuir os sinais anabólicos relacionados à via mTOR, crucial para a síntese proteica e manutenção da musculatura. Neste cenário, o treinamento resistido é essencial como estímulo anabólico para evitar a degradação muscular (proteólise) e garantir que os músculos permaneçam metabolicamente ativos. Sem uma sobrecarga progressiva adequada, há o risco de que qualquer ganho funcional seja temporário.
A importância das proteínas e o “triângulo da segurança”
A diminuição do apetite provocada pelo medicamento pode levar a uma ingestão insuficiente de proteínas. Para aqueles que praticam atividades físicas, é aconselhável manter um consumo proteico entre 1,6 e 2,2 gramas por quilograma de peso corporal. Essa quantidade é necessária para sustentar a sinalização anabólica e reduzir as perdas musculares.
Imagem: Divulgação
Recomendações práticas para educadores físicos
Ao atender indivíduos em tratamento com Tirzepatida, os educadores físicos devem:
- Ajustar a intensidade dos exercícios devido ao risco aumentado de fadiga precoce e episódios hipoglicêmicos resultantes do esvaziamento gástrico lento combinado à baixa ingestão calórica;
- Monitorar a composição corporal empregando avaliações regulares (como bioimpedância ou medições das pregas cutâneas) para acompanhar não apenas o peso total, mas também a massa muscular;
- Cuidar da hidratação e dos micronutrientes, visto que a redução do apetite pode provocar desequilíbrios eletrolíticos, elevando o risco de cãibras musculares e lesões.
Em resumo, embora a Tirzepatida seja uma ferramenta terapêutica eficaz no combate à obesidade, sua eficácia sustentada depende da combinação com exercícios físicos resistidos adequados e uma ingestão proteica suficiente para preservar tanto a massa muscular quanto a saúde metabólica.
Informações adicionais foram extraídas da Fitness Brasil.
