Usuários dos ônibus da companhia São Benedito têm feito uma série de reclamações sobre os serviços oferecidos nas rotas que conectam Fortaleza, o Litoral Leste e a área do Vale do Jaguaribe, no Ceará. Entre as queixas mais frequentes estão problemas mecânicos recorrentes, a falta de manutenção adequada, ausência de itens básicos para conforto e riscos à segurança durante os deslocamentos.
>>>Clique aqui para seguir o canal do GCMAIS no WhatsApp<<<
Os passageiros afirmam que esses problemas persistem há anos e têm se tornado mais graves. Quebras de veículos durante as viagens, atrasos significativos e a precariedade das condições dos ônibus são algumas das situações frequentemente relatadas por quem depende deste meio de transporte.
Passageiros expõem suas dificuldades em relatos
Bruna Santos, dona de casa, compartilhou suas experiências durante uma viagem recente que teve que ser interrompida devido a uma falha mecânica no ônibus. “Foi bem frustrante. Deveria chegar em uma hora ao interior, mas cheguei só às cinco da tarde. Foi realmente um aborrecimento”, comentou.
Ela também mencionou o longo período de espera até que um novo veículo chegasse para prosseguir a viagem: “O ônibus quebrou por volta da uma da tarde e ficamos esperando até umas três para conseguir continuar”, contou.
A falta de banheiros em parte da frota é outra reclamação destacada. “Todos os ônibus deveriam ter banheiro. Alguns têm, mas outros não. O ônibus que peguei hoje não tinha”, ressaltou Bruna. Para ela, essa situação se torna ainda mais complicada para quem viaja com crianças: “Ficamos evitando comer e beber água pra não correr o risco de parar fora das paradas”, explicou.
>>>Siga o GCMAIS no Google Notícias<<<
Aumento das denúncias sobre a São Benedito no Ceará
No terminal rodoviário de Messejana, em Fortaleza, muitos passageiros relataram sensação de insegurança ao embarcar nos ônibus da empresa. A policial militar Thays Cristina, que utiliza regularmente a linha para Limoeiro do Norte, destacou os problemas constantes enfrentados: “De maneira geral, está muito ruim. Para nós que só temos essa opção, é complicado suportar esse transporte precário”, declarou.
A agricultora Valdenice Alves, residente na zona rural de Beberibe, também trouxe à tona relatos negativos envolvendo sua família. “Recentemente uma irmã veio e enfrentou três paradas com problemas no ônibus. Pegou na Sabiaguaba e já chegou em Beberibe com o veículo quebrado. Chegou em Cascavel e teve a mesma situação. No final, desistiu e pagou um carro particular porque não havia condições de continuar”, contou.
Valdenice ainda destacou as dificuldades enfrentadas por quem viaja com crianças: “Com uma criança e três quebras do ônibus, fica impossível.”
Questões estruturais e riscos à segurança dos usuários
Além dos relatos diretos, muitos passageiros têm recorrido às redes sociais para expor problemas como veículos sucateados, portas danificadas, goteiras e pneus em mau estado. Há também registros de incêndios e acidentes relacionados a falhas mecânicas.
O deputado estadual Guilherme Bismarck mencionou que essa situação está ligada também a questões trabalhistas: “A realidade é alarmante diante dos vários relatos recebidos. Funcionários demitidos têm enfrentado grandes processos trabalhistas contra a empresa”, afirmou.
Ele acrescentou que há sinais claros de dificuldades financeiras na companhia: “Não há nenhum tipo de patrimônio financeiro relevante apresentado ao juiz. Isso foi confirmado pelos advogados dos funcionários.” Além disso, ele observou que os ônibus estão penhorados.
O engenheiro especializado em transportes Mário Ângelo Nunes enfatizou os perigos à segurança dos passageiros: “O problema central aqui é a vida das pessoas envolvidas. Elas correm o risco de morte ou ferimentos devido à evidente possibilidade de acidentes”, alertou.
Nunes ainda observou situações preocupantes como ônibus saindo da pista por perda de controle do motorista: “Isso deve ser tratado como prioridade para evitar tais incidentes”.
Investigação pela agência reguladora e resposta da empresa
A Agência Reguladora do Estado do Ceará anunciou que instaurou um processo para investigar as denúncias feitas contra a empresa São Benedito, que possui autorização para operar até 2029.
A companhia São Benedito declarou em nota que não existe uma exigência legal para instalação de banheiros em todos os veículos e informou sobre as paradas programadas durante as viagens. Em relação às falhas no ar-condicionado, garantiu que quando ocorrem, o trajeto segue até um ponto de manutenção.
A empresa também alegou que atrasos podem ser causados por fatores como chuvas intensas e trânsito congestionado, além de afirmar que todos os veículos estão dentro dos limites legais quanto à idade permitida pela legislação vigente. Sobre casos isolados de incêndio, afirmou que foram pontuais e já solucionados; quanto às quedas de bagagem, disse serem raras e relacionadas às condições das vias.
>Acompanhe o GCMAIS no YouTube<<<
Leia também
Passageiros de Fortaleza relatam demora dos ônibus após empresa anunciar fim das atividades
Após denúncia sobre dívida milionária, Prefeitura de Caucaia firma acordo com empresa para garantir transporte gratuito até o fim do ano
Ferramenta Nina registra 580 denúncias relacionadas a importunação sexual dentro dos ônibus em Fortaleza
