O chamado efeito sanfona — ciclos rápidos de perda e ganho de peso — é frequentemente associado à frustração de quem busca emagrecer. Pesquisas recentes, no entanto, têm investigado não apenas as variações no peso corporal, mas também como esses ciclos influenciam a distribuição de gordura, em especial a gordura visceral, e parâmetros metabólicos como glicemia e colesterol.
O que caracteriza o efeito sanfona
Na prática, o efeito sanfona é marcado por oscilações de peso em curtos períodos: emagrecimento relativamente rápido, recuperação do peso e novas tentativas de redução. Esse padrão costuma ocorrer por conta de dietas muito restritivas ou mudanças de comportamento que não se mantêm no longo prazo. Clinicamente, a principal preocupação tem sido o possível aumento da gordura visceral — a gordura que se acumula na cavidade abdominal e envolve órgãos como fígado, pâncreas e intestinos —, bem como alterações no colesterol, piora da resistência à insulina e elevação do risco cardiovascular.
Benefícios observados em alguns estudos
Em acompanhamentos de longo prazo com participantes de programas de emagrecimento, pesquisadores relataram um fenômeno chamado de “memória cardiometabólica”. Segundo esses estudos, parte dos benefícios obtidos durante a perda de peso pode ser preservada mesmo quando o peso é recuperado posteriormente. Em muitos casos, indivíduos que voltaram ao peso inicial apresentaram, ainda assim, uma distribuição de gordura abdominal mais favorável e marcadores metabólicos melhorados em comparação ao ponto de partida.
Esses resultados foram mais evidentes em protocolos que combinaram padrões alimentares saudáveis — como a dieta mediterrânea, rica em vegetais, grãos integrais, azeite e peixes — com orientação para atividade física regular. Participantes desse tipo de intervenção apresentaram redução de gordura visceral, melhor sensibilidade à insulina e perfil lipídico aprimorado. Anos depois, mesmo quando parte do peso foi recuperada, os níveis de gordura abdominal e os indicadores cardiometabólicos permaneceram melhores do que antes das intervenções.
Outra constatação apontou que indivíduos que repetiram a participação em programas estruturados de emagrecimento tendiam a recuperar menos peso e menos gordura abdominal nas tentativas seguintes. Isso indica que, com mudanças comportamentais consolidadas ao longo do tempo, o corpo pode reagir de forma mais favorável a novos ciclos, sem eliminar totalmente os riscos associados ao efeito sanfona.
Pesquisadores também destacam a importância da qualidade da perda de peso: quando a redução privilegia gordura, especialmente a visceral, e preserva massa muscular, o impacto do reganho parcial costuma ser menor do que em dietas muito restritivas que promovem perda muscular. Manter atividade física, sono adequado e controle do estresse contribui para a manutenção de ganhos metabólicos relevantes.
Perguntas frequentes
O efeito sanfona sempre faz a pessoa ganhar mais peso do que tinha antes?
Não necessariamente. Em muitos casos o peso retorna a um patamar próximo ao inicial; em outros, pode ficar um pouco abaixo. O risco maior ocorre quando há ciclos repetidos de perda rápida e ganho excessivo, comuns em dietas muito restritivas.
Quantas variações de peso caracterizam o efeito sanfona?
Não há número oficial, mas costuma-se considerar o efeito sanfona quando há perdas e ganhos de cerca de 5% a 10% do peso corporal em períodos curtos (semanas ou poucos meses), repetidos ao longo do tempo.
O efeito sanfona afeta apenas o corpo ou também a saúde emocional?
Afeta ambos. Além dos impactos metabólicos, é comum surgirem frustração, culpa e baixa autoestima após tentativas repetidas de emagrecimento, o que torna o acompanhamento psicológico ou nutricional com foco em comportamento alimentar útil.
Quem já passou por efeito sanfona consegue estabilizar o peso depois?
Sim. Muitas pessoas alcançam estabilização migrando de dietas “de emergência” para mudanças graduais e realistas, com metas de longo prazo e suporte profissional.
É melhor não tentar emagrecer para evitar o efeito sanfona?
Em pessoas com excesso de peso e risco metabólico elevado, não tentar emagrecer pode ser mais arriscado. O indicado é optar por abordagens seguras e sustentáveis, em vez de dietas relâmpago, pois perdas modestas mantidas por mais tempo já trazem benefícios à saúde.
Matéria finalizada conforme informações disponíveis.
Com informações de Correiobraziliense
The post Efeito sanfona pode reduzir gordura visceral em alguns ciclos de perda e ganho de peso appeared first on Produtora de Funk | GR6.
